Primeira geração

Primeira geração - 1984 a 1991

 

Versão CS
Período oferecido: 1984 a 1986 (Santana e Quantum)

Versão de entrada, vinha de série apenas equipada com ar quente e desembaçador traseiro. O acabamento interno podia ser em tecido preto, marrom ou cinza, de acordo com a cor externa do veículo. Podia ter, como opcionais, ar condicionado e direção hidráulica, bem como rádio AM/FM da Bosch e vidros verdes com para-brisa degradê. O painel trazia relógio analógico e econômetro.

Externamente, possuía frisos finos cromados ao redor das janelas e rodas de ferro aro 13 com supercalotas. O para-choque dianteiro era simples, sem a saia inferior, e os frisos laterais eram igualmente finos, na linha de cintura, em 1984 e 1985, trocando pelos tradicionais, que ocupam a parte inferior da porta, a partir dos modelos 1986.

De série, vinha equipado com câmbio de 4 marchas, tendo o de 5 marchas como opcional. A motorização era sempre 1.8 álcool ou gasolina e a carroceria podia ser de 2 ou 4 portas.

Curiosidade: o retrovisor direito, equipamento que atualmente não vivemos sem, não estava disponível sequer como opcional para o Santana CS. No caso da Quantum, o rack de teto era opcional – o que torna raro ver um carro assim hoje em dia, já que a maioria dos proprietários mandavam instalar o acessório para ficar com o visual das versões mais caras.

Versão CG
Período oferecido: 1984 a 1986 (Santana e Quantum)

A versão CG era a intermediária da linha, um meio-termo entre a simplicidade em equipamentos da CS e o luxo da CD. Com forração em veludo, a CG perdia boa parte do ar espartano da versão de entrada, garantindo um ambiente agradável e confortável. O painel de instrumentos vinha, de série, com relógio analógico, mas podia ser substituído como opcional pelo de relógio digital e tacômetro. Outros opcionais eram o ar condicionado, a direção hidráulica, os vidros e travas elétricos, o lavador de faróis, rádio AM/FM ou toca-fitas, saia dianteira e rodas de liga leve aro 13 e tala 5,5 (modelo Turbine), câmbio de 5 marchas, banco do motorista com regulagem de altura, bancos Recaro e vidros verdes com para-brisa degradê.

Externamente, vinha de série com as mesmas rodas de ferro e calotas da versão CS. O friso lateral, na parte inferior das portas, era o tradicional, e ao redor dos frisos utilizava o mesmo acabamento cromado fino do modelo de entrada. A motorização podia ser 1.8 álcool ou gasolina, com câmbio de 4 marchas de série e 5 marchas opcional, e havia duas opções de carroceria: 2 e 4 portas.

Curiosidade: é bastante raro encontrar uma versão CG despojada de opcionais. A maioria tem, ao menos, conta-giros e lavador de faróis.

Versão CD
Período oferecido: 1984 a 1986 (Santana); 1986 (Quantum)

Topo de linha, trazia todas as opções possíveis de equipamentos para a linha, a grande maioria como opcional. De série, vinha com vidros verdes e para-brisa degradê, câmbio de 5 marchas, acabamento em veludo, carpetes de maior espessura, luzes de leitura traseiras, tacômetro, frisos cromados nas caixas de roda, rodas de liga-leve 13×5,5″ modelo Turbine e faróis e lanterna de neblina, além de frisos cromados de maior largura ao redor das janelas laterais. Na traseira, a versão vinha com um friso canelado na seção entre os pára-choques e as lanternas traseiras, uma exclusividade da versão brasileira. No friso ficavam os emblemas.

Opcionalmente, podia vir com ar condicionado, direção hidráulica (opcional que demorou um tempo a chegar aos concessionários, embora oferecido desde o lançamento), transmissão automática de 3 marchas (pela primeira vez num Volkswagen nacional) e um equipamento bem raro: teto-solar de vidro, corrediço e com persiana interna, de acionamento manual.

Curiosidade: a Quantum CD é rara, pois foram produzidas poucas unidades. Deveria ter sido oferecida desde o lançamento, mas devido ao seu alto preço, inicialmente ficou restrita apenas a pedidos internos de funcionários da diretoria. Posteriormente foi oferecida, também sob encomenda, em concessionários.

Versão Do Mês
Período oferecido: 1986 (somente Santana)

A série Do Mês foi oferecida em 1986. Na mais é do que um Santana CS com acessórios e detalhes de acabamento do Santana CG, com preço promocional (mais barato que a CG e pouco acima da CS). O interior trazia estofamento do modelo CG, saia dianteira do modelo CD, friso frontal do capô, frisos laterais do CG, faróis de neblina do CD, desembaçador do vidro traseiro, ar quente, vidros verdes e para-brisa degradê, regulagem de altura do banco do motorista e rodas de liga leve Turbine 13×5,5″ mas, em contrapartida, o painel não trazia tacômetro. O câmbio era de 5 marchas.

Curiosidade: mesmo se tratando de uma série especial, no interior havia a opção de 3 cores: preto, cinza e marrom. Marcou o início da aplicação de forro de teto em espuma injetada, no lugar do tecido com pequenos furos que era utilizado até então.

Versão C

Período oferecido: 1986 e 1987 (Santana e Quantum)

A versão C, desconhecida pela maioria e que alguns juram não ter existido, foi de fato produzida pela Volkswagen em lotes, vendidos em 1986 e 1987. Tratava-se de uma versão pé-de-boi, sempre na cor Branco Paina, com interior na cor preta e desprovida de diversos equipamentos, além de não ter opcionais. O câmbio era de 4 marchas e somente havia a opção de motor a álcool. A Quantum vinha sem os bagageiros do teto e também sem limpador do vidro traseiro.

Curiosidade: esta versão foi uma artimanha da Volkswagen para reajustar a sua tabela de preços em tempo de inflação desenfreada. Como os produtos estavam com preços congelados (o governo autorizava um pequeno reajuste mensal, mas a inflação não acompanhava na mesma proporção), muitas empresas desse período acabaram quebrando.

O que foi feito: na apresentação para a linha 1987, as versões originalmente teriam apenas a nomenclatura trocada e manteriam o padrão de acabamento (CS =CL, CG = GL, CD = GLS), mas o prejuízo seria ainda maior. Isso foi contornado forjando uma versão mais barata, inexistente no mercado. Assim, somente no papel (e aos olhos do governo), a CS se tornou a recém-criada C, CG se tornou a CL e CD se tornou a GL, liberando a criação de uma teoricamente mais completa, chamada GLS. Note que assim, as versões antigas sofriam um reajuste acima da inflação. Para dar legitimidade a esse esquema, a Volkswagen divulgava a versão C na tabela de preços, mas não a distribuía aos concessionários; as poucas unidades fabricadas foram destinadas a frotistas e ao governo, pois o prejuízo na venda dessa versão específica era diluído no volume negociado. Sem dúvida, uma jogada de gênio.

Versão CL
Período oferecido: 1987 a 1991 (Santana); 1987 a 1992 (Quantum)

A versão CL é, tradicionalmente, a de entrada da linha Santana. Vinha equipada com desembaçador traseiro e ar quente, além de preparação para som com 2 alto falantes. Como opcionais, podia vir com vidros verdes e para-brisa degradê, rádio, ar condicionado, direção hidráulica e, a partir de 1988, rodas de liga leve 13×5,5 modelo Hockenheim (conhecidas no Brasil como “catavento”). Curioso notar que a falta do retrovisor direito foi mantida na versão de entrada, mesmo após a leve reestilização que trouxe novos pára-choques. A Quantum vinha com limpador traseiro de série.

O acabamento era excelente, com bancos em tecido simples, mas agradável ao toque. Em 1987 estava disponível nas cores cinza, preto e marrom; a partir de 1988, o tecido passou a ser em tear quadriculado, mais grosso, nas cores cinza quartzo ou bege, de acordo com a pintura externa. O console central era sempre o baixo, conhecido como “canoa”. Vidros, travas e retrovisores elétricos não eram oferecidos nesta versão de entrada. A partir de maio de 1988, a versão CL passou a contar também com o motor 2000, como opcional.

Curiosidade: por ser mais leve, esta versão era a mais veloz da linha Santana.

Versão GL
Período oferecido: 1987 a 1991 (Santana); 1987 a 1992 (Quantum)

Intermediária, a GL tinha ares esportivos. Isso ocorria pela utilização de rodas de liga leve aro 14×6″, modelo Avus (conhecida popularmente como Snowflakes), com pneus 195/60 R14, e pela supressão de cromados externos – todos os frisos eram pintados de preto fosco (inclusive os racks do teto, na Quantum). Além dos equipamentos da versão CL, a GL contava também com painel mais completo, com tacômetro e relógio digital, vidros verdes com pára-brisa degradê, detalhes cromados no interior (cinzeiros e comandos de ventilação), direção hidráulica, banco do motorista com regulagem de altura, bancos em tecido navalhado, luz interna temporizada, iluminação no porta-luvas, porta-malas e compartimento do motor, carpete de maior espessura e retrovisor direito. A seção entre as lanternas traseiras, onde a placa é fixada, também recebia acabamento em plástico ABS na cor preto fosco. Opcionalmente, podia vir com ar condicionado, vidros e travas elétricos (retrovisor elétrico a partir de 1988), bancos Recaro e teto-solar.

Curiosidade: justamente pelo perfil mais esportivo, o Santana GL existiu somente na carroceria de duas portas por praticamente toda a sua vida – exceto para o ano-modelo 1991, logo antes da chegada da segunda geração. Outra peculiaridade é que o motor 2000, disponível a partir de maio de 1988 como opcional, tornou-se de série a partir da linha 1989.

Versão GLS
Período oferecido: 1987 a 1991 (Santana); 1987 a 1992 (Quantum)

Substituta da CD, esta versão foi a topo de linha de 1987 a 1990. O acabamento, assim como na antiga versão, era primoroso: frisos cromados largos ao redor das janelas, veludo da melhor qualidade nos bancos, direção hidráulica de série, opção de teto-solar, entre outras benesses. Porém, se diferenciava também na dianteira: a Volkswagen aplicou a reestilização europeia de 1985 nesta versão, que vinha com piscas no pára-choque e faróis de neblina junto à grade. Com esse visual distinto, o carro conquistou o público e potencializou o desejo dos consumidores por algo exclusivo e alinhado às tendências internacionais.

Em 1987 o GLS tinha ainda muitos itens da versão CD: o teto-solar opcional era de vidro e as rodas eram as Turbine 13×5,5″; a partir da linha 1988, porém, o teto-solar passou a ser de lata e as rodas mudaram para as Hockenheim 13×5,5″. O friso canelado abaixo das lanternas deixou de existir já no ano-modelo 1989.

Curiosidade: o ar condicionado, mesmo nesta versão topo de linha, continuou como opcional até 1989. Foi somente a partir de 1990 que passou a integrar a lista de equipamentos de série, o que torna possível encontrar alguns Santanas GLS sem ar.

Versão GLS Evidence
Período oferecido: 1989 (somente Santana)

Baseada na versão GLS 4 portas, esta foi uma série especial oferecida em 1989 e que adiantava parte dos elementos visuais que seriam encontrados em seguida na versão EX. Vinha somente na cor metálica Preto Ônix, com lanteras traseiras fumê, frisos cinzas ao invés de cromados, capa dos retrovisores também na cor cinza, rodas de liga leve Teardrop 14×6″(conhecidas como Pingo D’água, as mesmas utilizadas nos Gol GTS e GTi da época) com pneus 195/60 R14 e um fino adesivo que percorria toda a parte superior das laterais, com a inscrição EVIDENCE próximo às lanternas traseiras. Internamente, apresentava padrão navalhado exclusivo nos bancos, painel em dois tons (preto e cinza) e volante de direção forrado em couro – um luxo naquela época. Foi vendido somente com câmbio manual.

Curiosidade: esta série especial serviu como clínica para que a Volkswagen sentisse a reação do público às novidades que estariam no mercado logo em seguida, na versão EX.

Versão Executivo
Período oferecido: 1990 a 1991 (somente Santana)

Simplesmente um dos melhores Santanas de todos os tempos. Reuniu diversos equipamentos que, até então, só estavam disponíveis fora do Brasil: injeção eletrônica, bancos em couro com alcântara, rodas BBS, amortecedores pressurizados, entre outros itens. 5000 unidades foram produzidas, tornando-o objeto de coleção entre os admiradores da linha antiga da Volkswagen. Acha pouco? Pudera: seu preço era cerca de 60% maior do que o do GLS. Foi o primeiro sedã nacional equipado com injeção, produzida pela Bosch e que mudava totalmente o carro: funcionamento liso, partida imediata, torque em abundância.

Visualmente era bem diferente dos Santanas GLS “comuns”, pois vinha com grade exclusiva de 3 filetes – importada da Alemanha, pintada na mesma cor cinza dos frisos externos, aerofólio na tampa traseira (exclusividade da versão brasileira que, aliás, contava com amortecedores para suportar o peso da tampa aberta, ao invés das tradicionais e rangedoras molas), couro uruguaio, direção hidráulica progressiva, rádio toca-fitas Volksline ETR-T com código de proteção antifurto, painel com iluminação vermelha, molduras nos arcos de roda, lanternas fumê, rodas BBS douradas, antena eletrônica no teto, entre outros itens. Inicialmente esteve disponível somente em 3 cores: Azul Astral, Vermelho Monarca e Preto Ônix, paleta que foi alterada com um tom de vermelho mais escuro na linha 1991.

Naquela época de importações proibidas, era o mais próximo que se podia chegar de um carro importado, ainda que ficasse devendo itens como computador de bordo, freios ABS, controle de tração, entre outros – em boa parte, devido à política restritiva ao uso de tecnologia importada.

Curiosidade: no EX, as rodas vinham de série na cor dourada – de gosto duvidoso para a maioria. Por esse motivo, opcionalmente as rodas podiam vir prateadas. Outra curiosidade refere-se à forração do interior (couro com alcântara) e transmissão (automática), que eram equipamentos de série. Opcionalmente o Santana EX podia “perder” estes equipamentos, vindo com transmissão manual de 5 marchas e/ou acabamento interno em veludo cinza. Era feito desta forma pois o objetivo da Volkswagen na época era oferecer o carro sempre o mais completo possível por questões mercadológicas.

Versão Sport
Período oferecido: 1990 (Santana e Quantum)

A série Sport, como o próprio nome diz, trouxe um ar de esportividade à linha Santana. Oferecida nas cores vermelha, branca e preta (todas sólidas), baseava-se na versão GL pela ausência de cromados, mas utilizava a frente do GLS e interior diferenciado, além de itens estéticos externos que faziam o carro se destacar no trânsito. Estes eram as faixas laterais, abaixo dos frisos, com o logotipo Sport, o emprego de lanternas traseiras na cor fumê, retrovisores pintados na cor do carro, escape com a mesma ponteira oval do Santana EX e vidros verdes com pára-brisa degradê. Na traseira, o Santana vinha com o mesmo logotipo central da versão EX, com base pintada na cor do carro, o logo 2000 no lado esquerdo e o emblema Santana do lado direito, com o Sport logo abaixo.

As rodas de liga leve podiam ter 3 acabamentos, sempre de acordo com a cor externa do carro: nos de cor vermelha, ela vinha com face diamantada e fundo prata; nos de cor preta, ela vinha toda prateada e nos de cor branca, vinha com a face diamantada e fundo branco. A cor branca, aliás, também era empregada na grade dianteira dos veículos com esta cor – as outras cores tinham sempre a grade sem pintura, na cor preta. Os pára-choques dos Santana e Quantum Sport vinham com frisos vermelhos, assim como o painel; o estofamento era exclusivo, com bancos Recaro na dianteira. O único opcional oferecido era o ar condicionado; de resto, os carros vinham completos com direção hidráulica, travas e vidros elétricos. Interessante notar que o retrovisor era sempre manual; não havia controle elétrico deles sequer como opcional.

Curiosidade: muitos acabavam trocando a grade dianteira dos Sport brancos pela grade preta normal, pois não gostavam do visual. Outro item que merece destaque é a manopla do câmbio – a mesma utilizada na linha Gol/Parati/Voyage/Saveiro GL, mais arredondada que a da linha Santana. Um “downgrade” inexplicado na linha, já que a Volkswagen poderia ter oferecido a mesma manopla de couro do Gol GTi e Santana EX.